sinestesia urbana;
assaltos silenciosos à essência
sons abafados de medos comuns,
sinto-me vivo, estado de alerta.
roubam-me a essência de atos falhos,
só meus
perco-me na sinestesia de um ônibus lotado,
de cheiros ocres,
de olhares cansados de uma rotina imposta.
roubam-se uns aos outros a energia limpa de cada corpo
roubam-me a clareza da alma em sutis atos falhos,
só deles
sente-se alto, Estado de alerta
assalto à matéria-prima do ser.
desolados cíclicos de um caos temporal
segunda-feira, 19 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
29 de abril, Dia Internacional da Dança
Mais do que um dia cheio de movimento, mais do que fotos
dançantes, mais do que o amor que quem dança sente a cada passo: hoje vejo a
necessidade de falar sobre o RECONHECIMENTO da DANÇA enquanto ARTE. E aqui,
deixo em aberto alguns questionamentos a respeito da dança no nosso país...
Afinal, qual é o espaço da dança no Brasil hoje? Onde vemos
a dança nas nossas cidades? Com que honestidade estamos lidando com as mais
diversas técnicas de movimento e possibilidades do corpo? Nossos professores
são qualificados? Nossos dançarinos sabem algo além dos passos de suas
respectivas modalidades? Que representação temos junto aos órgãos responsáveis
pelo investimento em arte no país?
Por que ainda vemos brasileiros que acham que dança de
qualidade é perna no alto, giros e saltos intermináveis? Por que o nosso povo
ainda não tem acesso a outras formas de se fazer a dança ou por que ainda não
temos bagagem cultural suficiente para entender espetáculos mais complexos? Por
que precisamos morar em regiões metropolitanas, ou nos deslocarmos até elas,
para ter acesso a tudo isso? Por que dependemos de editais públicos, que por
vezes se mostram com curadoria duvidosa, para mostrar a nossa arte?
Como disse uma professora minha, “é revoltante que o artista
brasileiro tenha que mendigar edital para receber investimentos do governo,
como se o povo que faz arte só precisasse comer e pagar contas quando são
selecionados em algum edital”.
E para finalizar: o que nós, artistas (ouso rotular-me assim
também), estamos fazendo pela nossa arte? Cada um é, em parte, responsável pela
realidade em que vive. Precisamos ter consciência de nossa posição político-social
e que nossas ações, por mais que atinjam minorias, podem sim contribuir
positivamente para o desenvolvimento artístico-cultural da cidade em que
vivemos.
Ensaio sobre um desabafo
De repente, todas as palavras bonitas e bem impostas me
vieram à mente, como se as milhares de páginas lidas nos últimos meses tivessem
finalmente completado seu ciclo e parado em meu discurso. Eram palavras firmes,
com significados fortes e, por vezes, cortantes. Passaram dos meus dedos às
teclas como um vinho encorpado, que embriaga a delicadeza do espírito e cumpre
seu papel tal qual manda o roteiro. E foram taças desse vinho.
No momento seguinte, a ressaca. Ressaca de sentimentos,
desgaste de momentos lindos em um fim melancólico e banal como todos os outros.
Uma história que teria ganho mérito no realismo, com um mistura do clássico e
do romântico: uma ousadia que quase deu certo.
Mas e quanto aos finais? Que vida redonda é essa que insiste
em se refazer em novos corpos, novas feições? Ainda há de encontrar por aí uma
alma que deteste formas tanto quanto eu, que enxergue o universo particular,
essa bolha, que partilham as pessoas capazes de amar o outro como se ama a si
mesmo.
O abraço
Abraço é respeito,
cumplicidade, intenção – saber abraçar é quase uma arte. Estar nos braços de
outro alguém, sentir o carinho, o afeto e toda a energia boa que transita entre
os corpos. Há quem diga achar ali o melhor lugar do mundo, há quem diga que
abraços falam. Conforto, segurança, saudade. Um ato simples, nem sempre comum,
que carrega a força de milhares de sensações. Aproxima raças, cores e credos,
dispensa fórmulas e protocolo – embora muitos afirmem que o melhor abraço é
aquele bem apertado, que junta e aquece coração com coração. Abraço de pai,
mãe, avós, amigos, amantes, colegas, ou até do desconhecido que passa todo dia
por nós. O abraço é a expressão pura e máxima do sentimento.
Quarta-feira, 04 de
Julho de 2012
O dia amanheceu confuso; quebrei o despertador. Uma voz
dizia ‘decide agora, decide agora, decide agora’. Era sonho.
Levantei atormentada, dando-me conta do que se passava. Dia
de semana, horário de aula. Eu de pijama, olhando para o relógio, examinando a
consciência e, ah, agora foi!
Só me perguntava até quando faria dessas. Ficar em casa,
negar o mundo, adiar o tempo comum e viver o tempo para mim. Se bem me lembro,
perdi uma prova nesse dia. E quanto importa? Tomei meu café no copo, engoli o
pão com certa desvontade. Dois livros me chamavam na cabeceira da cama.
Inundei o pensamento com palavras contrárias, permiti-me
entrar no mundo inventado de outro alguém. Que poderes absurdos têm os livros!
Deliciava-me a sensação de liberdade ao fazer minhas escolhas erradas e viajar
dentro de meu próprio quarto.
Mas a realidade é insistente. Vinha-me à mente a imagem de
meus pais decepcionados, lá longe. Encarava o relógio e pensava ‘já foi’.
Quantos já foram? Isso trazia à tona as boas almas que um dia me fizeram feliz.
Quanta vida houve lá atrás. Ecoavam então as palavras de uma professora ‘quem
não vive, não tem história para contar’.
E o que é vida? Parava. Bem sabia que uma vez abrindo
caminho a esses pensamentos, tudo estaria perdido, de novo.
domingo, 26 de maio de 2013
terça-feira, 5 de junho de 2012
Num dia qualquer, voltou com a insegurança de quem sai do
casulo. Era como se o mundo lá fora fosse uma queda livre a qual não sabia se
valia a pena se expor. Não queria sair.
Fechada em seu mundo, sentia o turbilhão de ideias e
sensações que circulavam por ali. Tomava um café para disfarçar, inventava duas
ou três desculpas mal contadas e voltava aos devaneios. Sabia que não era
certo, sentia o peso da irresponsabilidade, mas ainda assim era mais forte.
Tentava encontrar explicações razoáveis, que ao menos
justificassem a impotência diante do mundo real. Vivia um meio sonho, uma meia
fantasia, uma meia realidade. Era metade vida, metade inquietação.
Vez ou outra se deparava com alguma resposta que ia de
frente com os seus anseios – e a deixava passar. Mergulhada nessa confusão,
continuava andando, parada.
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